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Aqui, sinto-me bem para ser quem mais sou, saber o que mais sei (que não é muito) e ser livre para poder falar o que penso.
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rafaellinick
Liberte(se)!
"Há um pássaro azul em meu peito que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja."
O trecho citado no início é do poema The Bluebird, de Charles Bukowski. Retrata muito bem aquilo que trazemos no peito, nossa sensibilidade, a forte necessidade de saciar a vontade íntima que vem da alma e que sempre esbarra em nosso medo de viver, de se expôr em excesso ou demonstrar uma "fraqueza". Não podemos deixar nosso pássaro morrer, mas ao mesmo tempo estamos constantemente tentando controlá-lo. Não lhe damos a liberdade, mas também não queremos deixá-lo perecer. Queremos ter nosso pássaro cantante e ao mesmo tempo tentamos conter seu canto. E essa é a voz que nos controla, enquanto tentamos controlá-la. São os nossos sentimentos, nossa sensibilidade, nossa intuição.
Quem sabe a felicidade more mesmo aí, na exata interseção entre dar voz ao pássaro em nosso peito, sem chegar a ser totalmente controlado por ele. Mas, se isso é tão difícil, então não pode ser real, nossa felicidade não deveria depender de tanto esforço. Então pode ser que ela esteja no oposto do que fazemos. Talvez seja necessário deixar nosso pássaro livre, para que possa voar e cantar, encantando seus vôos, a nossa vida e nossas histórias. Aliás, história essa que não deixa de ser contada se nossos pássaros param de cantar, ela apenas muda o tom, passa a ser mais vazia, sem sentido. E uma história sem sentido é como uma história não contada, cheia de possibilidades inexploradas, de ir para onde não se foi, fazer o que não se fez, se tornar quem queria ser e nunca foi. Isso sim é o mais triste, ver pessoas que colecionam sonhos, desejos e aspirações interrompidas. Pessoas que talvez vivam em prol das vontades alheias, de padrões que lhes foram impostos. É muita gente deixando seu pássaro morrer lentamente e aceitando o que lhes disseram: sentir é ruim. Mas enquanto o pássaro não se vai, ele ainda canta, melancólico, como o canto de um Urutau. Mas seu pássaro tem fé, ele acredita e só quer que se faça uma pergunta: o quanto é válido se sufocar com tudo o que se finge não sentir?
A vida é curta demais para ser inteiramente dedicada a lutar contra nossos sentimentos e contra aquilo que somos de verdade. Mas ao mesmo tempo, ela é muito longa para que a gente consiga fazer isso por tanto tempo sem se perder em si.
Bukowski continua:
Bukowski continua:
"há um pássaro azul em meu peito que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, quer acabar comigo?
quer f**** com minha escrita?
quer arruinar a venda dos meus livros na Europa?
há um pássaro azul em meu peito que quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo, sei que você está aí,
então não fique triste."
Somos cruéis demais com nossos pássaros. Tentamos enganá-lo, sem perceber que só enganamos a nós mesmos. Racionar sua liberdade, no final de contas, é dosar nossa própria felicidade. É contar os dias para que se possa ser feliz, para ser quem é, para aproveitar a beleza da vida e para estar finalmente livre. É controlar as alegrias, na esperança de conter as tristezas também, mas não há essa possibilidade, pois são inevitáveis. É viver infeliz, na esperança de que logo chegue o "momento certo" de se alforriar, se desapegar das máscaras, das farsas e atuações, para abrir a gaiola que está em nosso peito. Mas o momento não chega, ou, na verdade, ele passa e você não vê. Está muito ocupado ficando cego e surdo para o seu pássaro. Ele canta, você fecha os ouvidos e lá se foi mais uma vez, mais um momento se passou, um acontecimento, uma pessoa, uma oportunidade, outra vez... Você então espera a próxima chance, que provavelmente também irá passar. E assim, fica sempre a espera do instante em que finalmente poderá ser feliz, mas ele não chega, pois já está lá e você não vê.
Bukowski termina:
"depois o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra completamente
e nós dormimos juntos assim
com nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem chorar, mas eu não choro,
e você?"
É ao mesmo tempo lindo e triste a relação retratada por Charles Bukowski, de uma pessoa com seu pássaro azul. É literalmente poético. À você, só peço que cuide bem de seu pássaro, não deixe-o morrer, não tente lhe calar, não desista dele, não desista de si mesmo. Liberte-o, ele não vai fugir de você, pois ele é você na essência. Deixe-o voar e voe com ele também! Siga na direção que seu coração mandar. Seja feliz... HOJE!
Poderia terminar citando Birds, da Imagine Dragons:
"Eu sei que
Pássaros voam em direções diferentes
Eu espero te ver novamente
Pássaros voam em direções diferentes
Então voe alto, então voe alto"
Mas como beatlemaníaco que sou, decido fechar com essa maravilhosa canção, mais uma da parceria Lennon/McCartney, a Blackbird. O pássaro de Bukowski é azul e o dos Beatles é negro, mas pouco importa a cor do pássaro. Ele só está esperando pelo momento em que será livre, para poder libertar você também. Liberte, liberte-se!
Pássaro negro cantando na calada da noite
Pegue essas asas quebradas e aprenda a voar
Durante sua vida toda
Você só estava esperando este momento para decolar
Pássaro negro cantando na calada da noite
Pegue estes olhos fundos e aprenda a enxergar
Durante sua vida toda
Você só estava esperando este momento para ser livre
Pássaro negro, voe, pássaro negro, voe
Para o clarão da escura noite
Blackbird - Composição: Paul McCartney / John Lennon
Ps: Esse texto está cheio de citações. Então seguem os conteúdos relacionados. Aproveite e seja feliz... HOJE!
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Londrina, PR, Brasil

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