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Aqui, sinto-me bem para ser quem mais sou, saber o que mais sei (que não é muito) e ser livre para poder falar o que penso.
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rafaellinick
Ensaio sobre o que sinto
É muito comum, depois que se passa por alguma decepção, entrar numa fase de mais egoísmo, de pensar mais em si, de perder a vontade de fazer pelos outros tudo aquilo que já fizemos por alguém outrora, e que a nós não foi feito jamais. Por vezes até ficamos em um estado de desapego e frieza. Pois, de alguma forma, parece que tudo pode ser algo que nos faça lembrar dessas decepções, até mesmo os próprios sentimentos que florescem.
No fundo, eu sei que tudo isso é por conta do medo de que, novamente, tudo se repita na sua vida, que a história seja recontada e o final reprisado. Como consequência disso, temos pessoas cada vez menos dispostas a fazer coisas por amor, com cada vez mais medo de fazer entregas, de fazer algo pensando no outro, de se colocar numa posição mais "vulnerável". Nisso tudo, não há nada além de medo, falo por mim.
Se por um lado eu sou esse receio, em contraparte há alguém que sente demais, quando sente. Alguém sempre entregue, de corpo e alma, do começo ao fim, de domingo a domingo, em cada pensamento, escolha e devaneio. Em tudo, há muito sentimento. Sempre teve, sempre há.
Eu sei que talvez haja um problema em ser essa eterna contradição, onde sempre parecem haver dois seres dividindo espaço em um mesmo corpo. Talvez isso afaste, pois pode não ser fácil entender. Eu quero muito, e não consigo demonstrar. Eu amo, e não consigo dizer. Eu adoro tudo o que faz, e não consigo expressar. Eu falo muito, e me calo bastante. Eu danço, mas tenho pés muito duros. Eu canto, com voz em silêncio. Sou a calma, e todo o caos. Eu vejo, com olhos muito míopes. Sou a insegurança mais segura de si. A incerteza mais certa e consciente de seus próprios erros... Mas em tudo o que sou e não sou ao mesmo tempo, há algo que é uma é constante: eu sinto. Mesmo que por vezes eu não saiba demonstrar, eu sei que sinto, e sei O QUE sinto, sempre soube, sempre sei.
Há um tempo atrás percebi o valor de fazer as coisas com amor e por amor. Descobri que quando fazemos algo pelos outros, independente de merecerem ou não, isso é um bem que é feito a nós mesmos. De alguma forma o amor entregue é sempre retornado. Amar é plantar, algo muito bom. É plantar sem saber quanto tempo aquilo pode levar para gerar frutos, mas plantamos, pelo que sentimos, pelo outro, por nós mesmos.
"Aceitamos o amor que achamos merecer."
A frase do Gary Chapman, em As Vantagens de Ser Invisível, sempre me fez pensar muito. No amor que aceito, no que quero praticar. E quanto a essa prática, não preciso de muito tempo pensando para chegar sempre na mesma conclusão, a qual repito a mim mesmo, toda vez que começo a titubear e a quase me entregar ao medo de sentir: É amor? Então sinta. É por amor? Então faça.
Esse sentimento me manteve vivo até aqui. Esse sentimento já me matou diversas vezes. Mas hoje eu sei, eu sinto, nunca estive tão vivo. Nunca quis tanto "arriscar", nunca estive tão disposto ao que pode acontecer, se tudo der certo ou errado.
Em um mundo imaginário, nos encontramos sem qualquer marca, ferida ou trauma. Lá, as coisas são mais fáceis, mais tranquilas, mais altos do que baixos, mais certezas do que dúvidas, mais qualidade que defeito, mais coragem e menos medo, mas também mais imaginário do que real. Aqui, onde as coisas não são sempre como se espera, onde as noites podem ser longas e o inverno pode ficar um tempo a mais do que se espera, é onde temos o que está ao alcance de nossas mãos, é onde temos a vida como ela é, onde tudo nos permite sentir isso que chamamos de realidade. E aqui, tudo ao meu redor me permite saber que o que eu sinto é real.
Sempre que precisar, lembre-se desse amor. Pra te acompanhar na noite longa, aquecer no inverno frio, pra amparar na tristeza, ajudar na dificuldade, para torcer nas suas lutas, comemorar nas suas vitórias, apoiar nas derrotas, para os dias felizes, os cansativos, os intermináveis, para as segundas-feiras, quando tiver dúvidas, quando tiver certezas em excesso, para o momento de solidão, ou quando estiver rodeada de pessoas... Para tudo, em todo lugar, a qualquer momento, lembre desse amor, e estará lembrando de mim.
Eu sempre serei grato por me devolver a liberdade de sentir outra vez. Por tudo o que fez e faz por mim, e também pelo privilégio de ter o coração em chamas, aquecido pela sua presença, por seus atos e momentos que compartilhamos juntos.
Com todo amor que cabe entre a terra e plutão,
Rafa.
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