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Do alto da autoaceitação, autoconhecimento e autoestima


É bem comum querer agradar todos a nossa volta. Buscamos mostrar o quanto somos boas pessoas, temos conteúdo, somos belos, inteligentes, merecemos importância, sua atenção e respeito. É uma procura que fazemos com frequência, em todos os nossos ciclos ou camadas de nossa vida social. É claro que tem aqueles que vivem à margem dessa necessidade de aprovação. Movimentos underground ganharam muita popularidade, com pessoas que realmente não se importam com o que os outros pensam sobre elas, suas roupas, gosto musical, seu estilo de vida, etc. Mas sentir-se bem quisto, para a maioria de nós, gera uma satisfação enorme. Nos traz a doce confirmação de que realmente somos tudo aquilo que os outros pensam a nosso respeito. Se meus amigos me acham admirável, então de fato sou. Se meu chefe fala que sou um excelente profissional, então deve ser verdade. Se em minha ultima foto compartilhada em rede social houveram tantos elogios com relação a minha beleza, então deve ser verdade que sou uma pessoa bonita. E muitos são os exemplos que mostram que buscamos essa aprovação, mesmo que involuntariamente, para reforçar nossas ideias e para ficarmos de bem com nós mesmos. Funciona da seguinte forma: busco a confirmação do outro, para estar convicto comigo mesmo.

Mas e quando isso não ocorre? O que acontece quando, em vez da confirmação de nossas qualidades, alguém apenas atenta-se àquilo que é visto como defeito? Ou quando não se recebe o valor que achamos merecer, quando a devida atenção não é dada, ou você não é visto/tratado como a pessoa especial que entende ser? Aqui entramos no lado inverso da coisa. É muito fácil aceitar a visão que o outro tem da gente, se essa visão é positiva. Mas e quando não é? O quão bom não é aceitar o elogio e difícil lidar com a crítica ou indiferença? 

Mas preciso lembrar que este aqui ainda é um texto sobre autoaceitação, autoconhecimento e autoestima. Saber lidar com as críticas, com nossos defeitos e com a dor da rejeição é importante, mas reconhecer nossas qualidades e méritos é mais ainda.

O fato é que não importa quem você seja, o que tenha, o que faça, ou como você é, sempre vão haver esses dois grupos de pessoas, as que reforçam sua boa visão de si e as que duvidam disso. Então só resta uma coisa: ter uma visão clara e emancipada de si próprio. Para isso, o mais importante é saber quem somos, reconhecer e aceitar o que temos de bom ou de ruim, ver o que podemos mudar para melhorar e também tudo aquilo que é nosso e que faz com que sejamos a exata pessoa que somos. É normal olhar no espelho da autoavaliação e ver que tem coisas que gostaríamos de mudar, mas para algumas dessas coisas a mudança não será possível, então precisamos aceitá-las e seguir em frente. Esses são os primeiros passos para uma visão independente de si. Antes de descobrir o mundo e nosso lugar nele, precisamos compreender quem somos. É o "conhece-te a ti mesmo", ensinamento que se via na entrada do Oráculo de Delfos e que foi muito pregado por Sócrates, com sua filosofia que focava em um entendimento de mundo partindo do autoconhecimento. Dentro de você começam todas as descobertas que há no mundo.

A principal força que habita no se conhecer, é a de perceber que não vale a pena gastar energia tentando mostrar para alguém o que somos na essência. Independente da verdade, existe uma liberdade no jeito que o outro te olha, que permite a ele te ver da forma que quiser. Aí cabe à escolha da pessoa, de te olhar e ver o pior dos males, ou o quão legal você é, e não à você se moldar e tentar mudar a visão que ela tem de você. Existe algo, uma espécie de força, que faz com que as pessoas que gostam de você, gostem sem precisar de muito. O mesmo vale para as que não gostam. Gosta-se com pouco e odeia-se por menos ainda. Então, realmente, o que o outro pensa de você, não te define.

Se alguém na sua vida não viu o quão especial você é, não achou que você valia a pena, não reparou suas qualidades e não te deu importância, usar suas forças para tentar provar o contrário é desperdiçar uma energia que você poderia utilizar para benefício próprio. Use este vigor a seu serviço, para crescer e se tornar mais incrível ainda, pois outras pessoas estarão realmente dispostas a enxergar isso em você, sem precisar de esforço de nenhuma das partes. Quem gosta de você, o faz de graça. É como fala uma personagem de Shakespeare, em Os Dois Cavalheiros de Verona, quando questionada sobre suas razões para achar que determinado rapaz é "o melhor dentre os melhores":

"[...] penso que ele é o melhor, por que assim penso."

Alguém vai pensar que você é a melhor pessoa do mundo, simplesmente por pensar, assim como quem vai achar o contrário. Nenhuma delas estará inteiramente certa ou errada. Você é quem define isso. Apenas busque melhorar a cada dia, escolha quem quer ser e prove isso apenas para si mesmo. Seja incrível, mais ainda. E quem não enxergar, azar!


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