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Desintoxicação Sentimental

https://drive.google.com/uc?export=view&id=1U9LJywpG9uii3pBH1jKB5lBLjf5xzfmk


Como quem se prepara para o impacto em um acidente inevitável, esperamos por esse momento. Me pergunto, chegamos aqui por acaso ou ajustamos o GPS para essa rota? Em que esquina entramos errado? Ou certo. Talvez, e apenas talvez, tivesse que ser assim mesmo. Afinal, temos ou não um livre-arbítrio? 

Seguindo em frente, ainda sobram muitas coisas pra resolver ou deixar para trás. Nunca é fácil, mesmo quando não é tão difícil, ainda assim, fácil não é.

Mas tudo bem, decisões pensadas, tomadas e passadas. Agora, o que sobra é a desintoxicação sentimental. Todas as pessoas que cruzam o nosso caminho sempre deixam algo e levam um pouco de nós, isso é sabido. Mas aquelas que ficam por mais tempo, acabam deixando mais e levando mais também.

Somos como prédios, alguns com mais quartos, outros com menos. Quando damos a alguém a possibilidade de morar ali, dentro de nós mesmos, estamos dando um espaço dentro de nossos pensamentos, planos, futuro, sentimentos e nossa história. Triste é perceber quando nosso edifício está com quartos demais ocupados pela mesma pessoa, o que é inevitável com o passar do tempo, pois cada vez mais a presença se faz presente em tudo o que temos ou somos. E quando estes mesmos quartos ficam vazios de novo, vem um baque inevitável. Tudo bem que aos poucos fui diminuindo sua ocupação dentro do meu edifício, talvez porque no fundo já soubesse que assim seria mais fácil de lidar. Mas novamente, não foi fácil, nada foi.

De maneira geral, a desintoxicação leva um tempo proporcional ao tempo, ou mesmo à intensidade, de quando se esteve junto. Em mais de meio ano tantas coisas podem acontecer, tanto se mostra um para o outro, tanto se tem e tanto se dá, que é o suficiente para perceber que não é só o tempo. Mas sim, entendo que alguns de nós entram numa jornada muito mais longa, desgastante, ou complexa. E com isso a presença do outro é mais intensa.

Sei que o termo parece ruim, não é desintoxicar como quem se livra de um doença, mas como quem deixa para trás o que já pertence ao passado. O livro termina e um volume dois se inicia, sem você, mas com partes de você em mim. Nessa sequência tudo pode dar certo ou errado, não há como saber, mas a história precisa continuar.

E assim, o processo de desintoxicação sentimental que começou enquanto ainda estávamos juntos, se consolida. No momento em que consigo reconhecer que sim, eu realmente preciso disso. O que acontece agora? Eu sinceramente não sei, não me lembro. Já estive aqui outras duas vezes, sei que o processo funciona, mas não sei como acontece.

Hoje estou livre, depois de acordar em uma véspera de dia dos namorados, percebendo que o presente que já havia comprado jamais será entregue. Mas tudo bem, os melhores presentes já nos demos, e agora mais uma vez, ao presentear um ao outro com a liberdade de ser feliz, cada um na sua própria história.

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