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Aqui, sinto-me bem para ser quem mais sou, saber o que mais sei (que não é muito) e ser livre para poder falar o que penso.
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Feliz aniversário, feliz
Já é um quarto de século que se passa, ainda assim sigo me surpreendendo com as mudanças que podem ocorrer dentro de um ano.
Sim, sou o maior fã do tempo, compreendo com encanto a sua força e a ação que ele tem sobre qualquer coisa. Tudo acontece com um tempo definido, desde a lua que aguarda ansiosamente pela noite para se fazer presente, à pausa dramática que se faz ao dar uma notícia importante, aumentando a tensão do momento. Para tudo há um tempo.
Em cada nascer do sol temos o início de algo completamente novo, e acumulando 365 desses nasceres temos uma oportunidade grande de mudança. Não consigo dizer bem em qual dessas 365 oportunidades eu consegui o meu maior acerto, tampouco se houve algum que se destacasse por si só. No fundo eu sinto que foram várias pequenas escolhas que me trouxeram aqui. Todas elas, misturadas em acertos e erros, me ajudaram a estar na fase feliz que me encontro.
Sim, feliz. Mas ainda me recordo com clareza do pior aniversário que passei até aqui em minha curta vida. Lembro-me de acordar cedo numa terça-feira para ir trabalhar, tendo em mente que, apesar de ser uma data especial, não era necessariamente um dia diferente (era o que achava). Antes de sair de casa, sempre o beijo de despedida em minha mãe. Mas, quando entrei em seu quarto, só o que vi foi um semblante completamente abatido, um olhar entristecido. Sim, ela estava feliz pelo meu dia, mas extremamente preocupada com a importância do que ocorreria naquele dia: mamografia, ressonância e todo tipo de exame que se faz quando há suspeita de câncer de mama. Em segredo, minha mãe já vinha fazendo algumas consultas médicas, naquele dia iria apenas para a confirmação do que poderia ser. Ela não quis me contar em momento algum para que eu não me preocupasse. Mas naquela data, todo tipo de pensamento passou pela sua mente, desde o medo do resultado, até ideias pessimistas sobre o futuro, então não houve como esconder.
Naquele dia, quando me levantei, não estava nos meus planos passar o dia todo em clínicas, aguardando com angústia pelo fim da bateria de exames que poderiam dizer se minha mãe estaria ou não doente. Ainda sinto o sabor amargo dessa espera. E acho que foi exatamente naquele instante que minha relação com o templo se iniciou, quando me deparei com sua força, fazendo com que cada minuto na sala de espera fosse eterno.
Curiosamente, lembro-me com maior clareza do meu aniversário mais difícil e triste. Mas claro que houveram dias 17 de agosto muito felizes também. Porém, isso não é algo que me faz pensar muito. Gosto de imaginar que a melhor data sempre pode ser aquela que ainda está por vir.
Hoje vivo a que talvez possa ser a minha melhor fase como pessoa. Ainda cheio dos defeitos e dúvidas que me formam, mas consciente do meu lugar, importância e função na vida das pessoas. Já tive muito medo, de perder o que conquistei, de esquecer tudo o que sei, ser insuficiente, de sufocar ao ser demais, de não descobrir o que quero, de querer o que não posso, de ter menos do que mereço, de ser fraco, ser enganado, da decepção, de quase tudo... Ainda não sou a personificação da coragem, mas sigo melhorando. Quando se faz/é uma lista extensa de medos, qualquer coisa pode assustar, inclusive o próprio tempo. Mas a cada ano vem uma nova série de experiências, te mostrando que alguns receios podem ser superado.
Hoje, acordo numa madrugada fria, enquanto o forte vento entra pelas frestas de minha janela e faz um barulho alto, desses sons de filme de terror. Mas não, não fico aterrorizado, não tenho medo, não disso. Ainda assim, penso em tudo, nos medos que tenho, nos que tive, nos anos passados, em aniversários felizes e tristes, na vida. A chuva lá fora me faz pensar, a chuva aqui dentro me conforta e acalma.
Hoje tenho tanto a agradecer, e isso sim poderia ser apavorante, afinal, seria muito mais a perder. Mas não é. Agora tenho a consciência de que o tempo passa e que nada é eterno, embora até pareça. Veja quantas mudanças do ano passado para cá, quantas novas conquistas, novas pessoas, novos amores, nova paixão.
Ano que vem estarei de volta aqui, certamente com novidades, boas mudanças, com novas memórias e momentos compartilhados, novas risadas, sonhos descobertos e realizados. Estou otimista e sem medo de me decepcionar. Nada conforta mais do que pensar que dias tristes são passado, enquanto dias felizes são o presente e futuro que há de vir. Afinal, o melhor dia da sua vida não pode ser um que já passou, olhe para frente.
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